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Jurídico15 de setembro de 2026·6 min de leitura

Limiar Jurídico - Harvey vale US$ 15,5 bilhões. Mas quem lidera a adoção de IA nos escritórios?

A Harvey levantou mais US$ 550 milhões, a uma avaliação de US$ 15,5 bilhões. Já uma pesquisa da ILTA coloca o Microsoft 365 Copilot à frente entre as ferramentas usadas ou exploradas pelos escritórios consultados, um retrato que não equivale a uso consolidado. Nesta edição, também distinguimos anúncio de disponibilidade nas novidades de Legora e Casepoint, examinamos investimentos e contratações das bancas e o debate sobre manter modelos de IA próprios.

A Harvey levantou mais US$ 550 milhões, a uma avaliação de US$ 15,5 bilhões. Já uma pesquisa da ILTA coloca o Microsoft 365 Copilot à frente entre as ferramentas usadas ou exploradas pelos escritórios consultados, um retrato que não equivale a uso consolidado. Nesta edição, também distinguimos anúncio de disponibilidade nas novidades de Legora e Casepoint, examinamos investimentos e contratações das bancas e o debate sobre manter modelos de IA próprios.

Harvey vale US$ 15,5 bilhões. Mas quem lidera a adoção de IA nos escritórios?

A Harvey confirmou mais uma rodada de investimento: US$ 550 milhões liderados por Diffusion e Lightspeed, a uma avaliação de US$ 15,5 bilhões. A rodada foi anunciada em 9 de setembro. Captação mostra o interesse dos investidores, mas não mede, por si só, a presença de uma ferramenta no trabalho dos advogados.

Só que a pesquisa de tecnologia da ILTA (associação internacional de tecnologia jurídica), com mais de 500 escritórios associados em uma dúzia de países, pergunta quais ferramentas eles usam ou estão explorando. Microsoft 365 Copilot aparece com 76%; CoCounsel e Claude, com 44% cada; Harvey, com 43%; e Legora, com 16%. CoCounsel e Harvey estão praticamente empatados nesse indicador. Explorar, testar e usar de forma consolidada são estágios diferentes: os números não autorizam dizer que CoCounsel domina o dia a dia dos escritórios.

Para quem decide tecnologia em escritório brasileiro, a lição é direta: não compre pela manchete de captação nem trate um ranking internacional como retrato do mercado local. Antes de contratar, teste como a ferramenta se encaixa em uma tarefa concreta, como pesquisa, revisão de contrato ou preparação de parecer. Compare qualidade, custo, integração e condições de tratamento dos dados, incluindo onde serão processados.

Legaltech & Ferramentas

Legora anuncia citador nativo de IA; ontologia está em beta limitado

A Legora anunciou uma ontologia jurídica (um mapa das relações entre leis, decisões e outras fontes) e um citador nativo de IA. O projeto utiliza tecnologia das aquisições de Qura e Wexler. A ontologia está em beta limitado, com disponibilidade geral prevista para o quarto trimestre de 2026. A proposta é ajudar a conferir relações e validade das referências jurídicas, mas o anúncio não significa que todos os clientes já tenham acesso ao recurso.

Por que importa: Uma referência pode existir e ainda assim estar superada ou ser inadequada ao caso. Ao avaliar a ferramenta, pergunte quais jurisdições ela cobre, se o acesso está liberado e como a conferência funciona. A revisão humana continua necessária; a proposta do produto não é prova de que o problema das citações incorretas foi eliminado.

Casepoint lança framework de IA; novos agentes seguem em alpha

A Casepoint lançou o Casepoint IQ, um conjunto de recursos de IA para e-discovery (busca, filtragem e revisão de provas digitais), investigações e outras tarefas. O framework está disponível aos clientes e reúne assistentes de IA e recursos anteriores de classificação de documentos. Já os dois novos agentes, voltados à determinação de relevância e à classificação por assunto, estão em alpha, uma fase inicial de testes com poucos clientes, com beta previsto até o fim do ano. A disponibilidade do framework não deve ser confundida com a dos agentes.

Por que importa: Escritórios brasileiros que lidam com arbitragem ou litígio internacional cruzando dados com contraparte americana já esbarram em e-discovery. Se a triagem passa a ser feita por agente autônomo, vale perguntar ao fornecedor onde o dado processado fica armazenado e quem tem acesso, principalmente quando há dado pessoal de brasileiro no meio dos documentos.

Escritórios & Carreira

Morgan & Morgan prevê US$ 1 bilhão em tecnologia jurídica e IA ao longo de dez anos

A Morgan & Morgan, maior escritório de ações de indenização dos Estados Unidos, anunciou que vai investir pelo menos US$ 1 bilhão em tecnologia jurídica e IA ao longo dos próximos dez anos, junto à apresentação de sua plataforma própria MX2. O escritório trabalha com ações de indenização em grande volume. Para operações desse tipo, vale observar como a tecnologia pode apoiar triagem, preparação de documentos e organização de registros, sem tomar promessas de eficiência como resultados já demonstrados.

Por que importa: O paralelo brasileiro é direto, escritórios de massa em ação de consumidor, previdenciária e trabalhista vivem a mesma pressão de volume. IA bem aplicada corta tempo de triagem, mas o mesmo ganho de escala amplia o risco de ajuizamento em série malfeito se não houver revisão humana antes de protocolar.

O que a contratação da Latham & Watkins revela sobre o mercado de IA jurídica

Uma análise da página de vagas da Latham & Watkins mostra o crescimento de cargos ligados a IA dentro da banca, muitos deles fora da caixa tradicional de advogado ou analista de TI: funções de governança de IA, engenharia de fluxo de trabalho jurídico e supervisão de uso de modelo. É um sinal de que o mercado jurídico está criando uma categoria de profissional híbrida, que entende de Direito mas também sabe avaliar risco e desenho de ferramenta de IA.

Por que importa: Para estudante de Direito e advogado no início de carreira no Brasil, essa é uma rota de diferenciação real. Bancas brasileiras ainda contratam pouco para essas funções de forma explícita, mas quem já mostra domínio de ferramenta de IA jurídica em entrevista sai na frente.

Direitos & Dados

Modelos próprios nos escritórios: soberania de dados justifica o investimento?

Em uma análise crítica, o Artificial Lawyer discute a decisão de bancas como Latham & Watkins investirem em modelos de IA de pesos abertos (que podem ser baixados e executados em infraestrutura própria). O autor questiona se custos, sigilo e soberania de dados justificam treinar modelos próprios, considerando alternativas já disponíveis. A conclusão é cética: pode haver benefícios, mas eles não parecem tão significativos diante das opções de mercado. É uma avaliação do autor, não uma demonstração de que infraestrutura própria seja sempre melhor ou pior.

Por que importa: Controlar a infraestrutura e treinar um modelo são decisões diferentes. Para avaliar uma proposta, separe a necessidade de proteger dados da necessidade de desenvolver IA própria. Compare custo total, capacidade de manutenção e controles de acesso e retenção, com avaliação jurídica das condições de tratamento de dados aplicáveis ao caso.

Radar

A banca global White & Case investiu na legaltech saudita Clauze, sinal de que grande escritório está deixando de ser só cliente de IA jurídica para virar também investidor direto no fornecedor.

Na JOTA, coluna sobre a Advocacia Pública discute como regular o uso de IA sem perder a presença e o diálogo humanos no atendimento ao cidadão, um lembrete de que esse debate não é só de escritório privado, chega direto à procuradoria e à defensoria brasileiras.

O CEO da legaltech de pesquisa jurídica Jus Mundi defende, em artigo, que pesquisa jurídica precisa de uma camada especializada de IA, e não só de modelo de propósito geral como Claude ou ChatGPT usados direto. Vale acompanhar se essa tese se confirma no Brasil, onde escritório menor tende a usar ferramenta genérica por custo.

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