O Gemini ganhou um editor de arquivos dentro do chat, um teste da Doximity mostra que modelos erram ao menos 2,3% das doses de remédios e publishers já vendem anúncios que só agentes de IA enxergam. No Radar: um passo a passo para transformar gravação de tela em guia, o Reino Unido e a OpenAI tentando moldar o debate público.
🔥 Top 3 do Dia
Gemini passa a gerar, mostrar e editar arquivos dentro do chat
O Google anunciou em 29 de outubro que o app do Gemini agora gera, mostra uma prévia e deixa você editar documentos, PDFs, apresentações, planilhas, arquivos Markdown e TXT e código sem sair da conversa. Você abre o arquivo em tela cheia, digita as mudanças direto, seleciona um trecho para fazer perguntas ou pede para o Gemini refinar o texto ou os visuais.
O exemplo do Google é um PDF de estudo criado a partir de anotações de aula escritas à mão e enviadas ao chat. A edição de PDF funciona na web e no celular. Docs, planilhas, slides, Markdown, TXT e código só funcionam na web. A empresa diz que o recurso está disponível para todos os usuários, em todos os idiomas onde o app existe.
Por que importa: Isso encurta o vaivém de copiar a resposta do chat para outro programa só para ajustar uma frase. Teste com um documento seu: peça o rascunho, edite à mão o que for específico do seu contexto e use a seleção de trecho para pedir correções pontuais, em vez de regenerar tudo.
Doximity testa nove modelos e diz que ao menos 2,3% das doses de remédios saíram erradas
A Doximity, plataforma de médicos nos EUA, publicou em 29 de outubro um teste com nove modelos de linguagem populares, todos lançados em 2026, em mais de 8 mil perguntas sobre dosagem de 2.204 medicamentos. Pelo cálculo da empresa, ao menos 2,3% das doses estavam erradas. Entre os erros, 43,8% foram considerados graves e 3,4% potencialmente letais. O problema mais comum foi não ajustar a dose a idade, peso ou função renal e hepática, mesmo com esses dados no pedido.
Segundo a empresa, remédios aprovados a partir de 2024 tiveram 5,1 vezes mais chance de erro. Um em cada cinco erros mais graves envolveu unidade ou casa decimal, como trocar mcg por mg. Junto com o estudo, a Doximity lançou o DoseCheck, que compara cada dose citada pela IA com uma base de dados fixa de medicamentos (sem usar outro modelo para revisar o primeiro) e mostra um selo verde quando bate. Atenção: o teste é da própria empresa, que vende a solução, e a redação leu só o relato dela, não o estudo completo.
Por que importa: A lição vale além da medicina: número, unidade e data que a IA entrega devem ser conferidos numa fonte fixa, como bula, tabela ou contrato. A resposta vem fluente e plausível, e isso é justamente o que faz o erro passar numa leitura rápida. Nunca use dose gerada por IA sem checar na referência oficial.
Publishers começam a vender anúncios que só agentes de IA enxergam
Segundo a newsletter The Neuron, que cita uma reportagem da The Information (não foi possível abrir o texto original), a revista TIME já usa a empresa Mobian para entregar a agentes registrados páginas legíveis por máquina com blocos patrocinados rotulados. Você não vê esses anúncios, porque lê outra versão da página. A motivação, de acordo com a newsletter, é que editores de sites querem receber mesmo quando o assistente responde sem mandar você ao site: em uma amostra de editoras europeias, houve 227 coletas automáticas de IA para cada visitante humano enviado por IA no segundo trimestre, contra 150 no trimestre anterior.
A newsletter lembra que o Google anunciou anúncios em perguntas de acompanhamento no modo IA e que a OpenAI testa agentes patrocinados, enquanto a Anthropic diz que o Claude seguirá sem anúncios. O risco apontado: um agente resume uma alegação patrocinada, perde o rótulo, e outro agente usa esse resumo para decidir uma compra. Três agentes repetindo a mesma afirmação não são três fontes.
Por que importa: Quando você delega pesquisa de fornecedor, produto ou preço a um agente, peça sempre as fontes e pergunte se algum trecho era conteúdo patrocinado. Para decisões de compra, abra pelo menos uma fonte original você mesmo.
📡 Radar
Gravação de tela vira guia passo a passo com o Gemini
A The Neuron sugere gravar a tela enquanto você faz uma tarefa recorrente, narrando suas escolhas, e pedir ao Gemini um guia numerado para um colega, com nomes de botões e campos, marcações de tempo e um aviso de que o passo precisa ser checado onde houver dúvida. A ajuda do Google confirma que o Gemini aceita vídeos de até 2 GB e 5 minutos no total no plano gratuito (1 hora nos planos Pro e Ultra). Siga o guia uma vez sem olhar a gravação para achar os passos que faltam.
Financial Times: controle e soberania vão orientar a abordagem do Reino Unido para IA
Segundo o Financial Times, os princípios de controle e soberania vão moldar a postura do Reino Unido sobre IA, depois de discussões intensas no topo do governo sobre a adoção da tecnologia (fonte fechada, só o resumo público). A leitura da Limiar: governos de várias partes tendem a cobrar mais controle local sobre quem fornece IA, algo que também pode chegar a contratos públicos no Brasil.
OpenAI prepara ofensiva de relações públicas após as eleições americanas
O TechCrunch, citando o Axios, diz que a OpenAI planeja uma campanha depois das eleições de meio de mandato de terça-feira, com propostas como limites de velocidade para IA, padrões globais e até rebatizar data centers como campi de computação de IA. Não há, nessa reportagem, anúncio de mudança no produto que você usa. Ela mostra que a empresa vê a aceitação pública da IA como uma frente relevante para sua atuação.