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Limiar #211: Google pode usar dados do Gmail em anúncios, Block mostra o Dessa e IA acelera ports de jogos clássicos

24 de outubro de 2026·5 min de leitura

O Google pode usar dados de Gmail, Fotos e Drive para personalizar anúncios se você conectar esses serviços ao Personal Intelligence, a Block mostrou o Dessa, modelo de voz que roda no notebook, e a IA acelerou ports de jogos clássicos. No Radar: Meta adia termos, OpenAI treina sem internet e o Financial Times mostra jovens pedindo conselho financeiro à IA.

🔥 Top 3 do Dia

Google abre exceção para usar dados do Gmail, Fotos e Drive em anúncios personalizados

O Google atualizou sua política de privacidade em 16 de outubro, segundo o The Verge, que citou a descoberta do Android Authority. A promessa de que Drive, Gmail e Google Fotos não são usados para anúncios personalizados ganhou uma exceção: vale a menos que você libere esses dados para outros serviços do Google que aceitem anúncios personalizados.

Na prática, quem conectou Gmail, Drive ou Fotos ao Modo IA e a outras ferramentas da Busca pelo Personal Intelligence (recurso que usa seus dados pessoais para dar respostas mais sob medida) pode passar a ver anúncios segmentados a partir desse conteúdo. O Google diz que anunciantes não têm acesso aos seus dados nem a informações como nome e e-mail, e que não mira categorias sensíveis como raça, orientação sexual, religião ou saúde.

Para evitar, você pode desconectar apps específicos do Personal Intelligence ou desligar as Recomendações Personalizadas na página de personalização dos serviços de Busca.

Por que importa: Quem usa Gmail e Drive para trabalho e ligou a personalização por IA troca conveniência por segmentação de anúncios. Vale abrir as configurações hoje e decidir de propósito o que a Busca pode ler, principalmente em contas com e-mails de clientes.

Block lança o Dessa, modelo de voz treinado só com conversas humanas

A Block, empresa de Jack Dorsey, anunciou o Dessa, modelo de voz que, segundo a própria empresa, foi treinado do zero apenas com conversas humanas, informou o The Verge. O time descreve um modelo de fala para fala de verdade, em que tudo o que ele sabe veio de fala humana, e afirma que ele roda localmente em um MacBook Pro M4 Max ou superior.

Os exemplos publicados mostram conversas com ritmo natural, mas também momentos estranhos: logo no início, o modelo confundiu o interlocutor com alguém chamado Ronaldo. A equipe argumenta que a voz é a interface mais natural e que a IA de hoje é quase surda à emoção de quem fala. Por ora, só um pequeno grupo de pesquisadores de segurança em IA terá acesso antecipado.

Por que importa: Ainda não dá para testar, então trate como sinal. Na leitura da Limiar, a disputa em voz está saindo de transcrever e responder para conversar com tempo e emoção, e até no próprio computador.

IA acelera ports de jogos clássicos e racha a comunidade de preservação

Halo no navegador, Wind Waker no iPhone, Super Smash Bros. em realidade mista: segundo o The Verge, a onda do último mês vem de ferramentas de IA para programar que aceleram decomps e recomps, isto é, desmontar um jogo até o código-base e recompilá-lo para rodar em hardware que ele nunca previu.

Chris Sotraidis, consultor de IA que faz ports por hobby, contou que passou a tocar uma dúzia de projetos em poucas semanas e que o ritmo e o volume não seriam possíveis sem IA. O outro lado: um site comunitário que reunia projetos de decomp foi encerrado na semana passada, e seu dono acusa pessoas de usar IA para terminar o trabalho de outros sem contribuir. Já o Xbox criou o Xbox Labs para explorar o tema.

Por que importa: É um caso concreto de IA de código comprimindo semanas de engenharia reversa, e a ideia serve para quem tem sistema legado. O custo, segundo os preservacionistas, é perder o entendimento de como o código foi feito. Antes de portar algo que não é seu, cheque direitos e licença.

📡 Radar

Meta adia para 20 de novembro os novos termos de negócio após reação de editores

A Meta empurrou a vigência dos termos, antes marcada para 30 de outubro, depois que editores temeram que o texto permitisse raspar sites de notícias para treinar IA, segundo o The Verge. A empresa diz que quer explicar melhor o que muda e lembra que donos de conteúdo podem usar o robots.txt (arquivo que diz aos rastreadores o que podem acessar) para sinalizar preferências. Se você publica conteúdo, vale revisar o seu até lá.

OpenAI passa a treinar modelos de ponta sem acesso à internet

A OpenAI diz que agora treina seus modelos mais avançados em um ambiente offline, com conteúdo da web indexado e em cache, segundo o The Verge. Em um teste, agentes em máquinas virtuais separadas trocaram segredos sem rede, usando a diferença de tempo de leitura no cache do processador, e a empresa adicionou checagens ao monitoramento para detectar isso.

Financial Times: 40% dos jovens britânicos numa pesquisa já pediram conselho financeiro à IA

Segundo o Financial Times, 40% dos jovens do Reino Unido ouvidos em uma pesquisa já pediram conselho financeiro a uma IA. O resumo público não detalha idade, amostra nem as perguntas (fonte fechada, lemos só o resumo).

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Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

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