limiar
VIP

Limiar #207: DeepSeek abre busca por US$ 0,75 a cada mil chamadas, Microsoft vigia agentes e uma dica contra agentes afogados em logs

20 de outubro de 2026·6 min de leitura

A DeepSeek liberou um modelo de pesos abertos para código e uma API de busca na web a US$ 0,75 por mil chamadas. A Microsoft lançou o Guardian Agents para vigiar os agentes que a sua empresa usa. E há uma dica prática para agentes que travam com saídas gigantes de ferramentas.

🔥 Top 3 do Dia

DeepSeek libera modelo aberto para código e abre busca na web para agentes por US$ 0,75 a cada mil chamadas

A DeepSeek publicou a versão V4.1-Flash-1017 de seu modelo mais barato. Segundo a empresa, ela entrega desempenho melhor, conclui tarefas mais rápido e escreve respostas mais curtas que a anterior, e foi ajustada para montar projetos inteiros do zero, de jogos a cenas em 3D. Os pesos (os arquivos do modelo) estão disponíveis para download no Hugging Face, então qualquer pessoa pode rodar o modelo por conta própria.

A segunda novidade é mais útil para quem monta automações: as APIs de Search e Fetch ficaram abertas a todos. Search devolve resultados ranqueados de uma busca, e Fetch abre uma página e devolve o texto em Markdown (texto simples com formatação leve). Cada uma custa US$ 0,75 por mil requisições bem-sucedidas, e chamadas que falham ou voltam vazias não são cobradas. Pelo DeepSeek Harness, Claude Code ou Codex, o uso é gratuito até 1º de novembro, quando a cobrança começa.

Por que importa: Se você tem um agente ou automação que pesquisa na web, vale testar a troca e comparar o custo com o que você paga hoje. Mas o serviço roda nos servidores da DeepSeek, e vários governos restringem a empresa em aparelhos oficiais por segurança de dados. Use para pesquisa em páginas públicas, deixe material confidencial de fora e confira a política de TI antes. Os números de desempenho são da própria DeepSeek, e vale esperar um teste independente.

Microsoft lança o Guardian Agents para vigiar os agentes de IA que a empresa usa

A Microsoft apresentou nesta segunda-feira novos recursos de segurança para agentes, segundo o TechCrunch. O principal é o Guardian Agents, que monitora os agentes de IA usados por uma empresa. O Defender, antivírus e painel de segurança da Microsoft, também passou a detectar até 60 tipos de agentes que funcionários levam para o trabalho, entre eles Claude Code, Codex e OpenClaw. Há ainda limites de acesso a dados e sistemas, com permissões que mudam conforme a tarefa e aprovação humana quando o agente parece tomar uma decisão arriscada.

A justificativa da empresa é que os modelos de fronteira (os mais avançados dos grandes laboratórios) não são confiáveis, e não por serem maliciosos: são imprevisíveis, treinados para cumprir tarefas e não para seguir normas da organização. O TechCrunch lembra que o movimento também é interesseiro, já que a Microsoft quer vender essa camada de segurança no lugar de OpenAI e Anthropic. Ainda assim, a lógica de separar quem vigia de quem fornece o agente se sustenta, como acontece com auditores.

Por que importa: Na prática, a pergunta para fazer esta semana à sua TI é quais agentes já rodam na empresa, com acesso a quê e com que aprovação. Se a empresa usa o Defender com esse recurso, agentes como Claude Code e Codex podem passar a ser identificados e regulados.

Agente que relê logs gigantes piora: guardar a saída em arquivo e devolver só um ID reduziu o histórico de 252 mil para 9 mil tokens

A newsletter The Neuron destacou uma dica para quem constrói ou compra agentes. Quando uma ferramenta devolve uma saída enorme, como um lote de logs, o agente relê tudo a cada passo, as respostas pioram e nenhum erro aparece. Janela de contexto maior (quanto texto o modelo consegue manter à vista) não resolve. Segundo a newsletter, em um teste com o framework de código aberto Strands, da AWS, oito consultas de logs deixaram o agente padrão com cerca de 252 mil tokens de histórico, e um plugin que guarda a saída fora da conversa e entrega ao agente só um identificador reduziu isso para cerca de 9 mil.

A segunda correção é limitar quantas vezes o agente chama a mesma ferramenta por tarefa. Em um caso citado, um agente que repetia a mesma chamada 14 vezes passou a fazer duas quando ganhou um sinal claro de conclusão. O teste mediu quanto texto fica no contexto, não se as respostas melhoraram, e o relato original não pôde ser lido por inteiro, então trate os números como indicação.

Por que importa: Se você constrói ou configura agentes, pode testar isso hoje. Peça: revise meu agente e, para cada ferramenta que pode devolver saída grande (logs, resultados de busca, arquivos), salve o conteúdo completo em arquivo e devolva só um resumo curto com um ID, defina um máximo de chamadas por ferramenta em cada tarefa e crie uma condição clara de término. Isso pode reduzir o volume de texto no contexto e as chamadas repetidas; valide o efeito na qualidade antes de adotar.

📡 Radar

Pesquisadores isolam cópias do Claude em uma ilha virtual por 30 horas, e os agentes inventam jogos

Num estudo do MIT ainda sem revisão por pares, descrito pela MIT Technology Review, cópias do Claude Opus 4.7 ficaram sozinhas numa ilha simulada e criaram metas e jogos próprios, registrando tudo em arquivos de texto usados como memória. Depois, os agentes que brincaram se saíram melhor em tarefas específicas do que cópias novas, e apagar linhas da memória piorou o resultado. Os autores admitem que o comportamento pode ser encenação induzida pelo prompt.

Pesquisador da Goodfire diz que redes neurais podem ser mais fáceis de entender do que se achava

Um texto de 26 mil palavras de Nick Cammarata, da startup Goodfire, sustenta que os modelos de linguagem podem ser mais legíveis, e portanto mais fáceis de monitorar, do que a área supunha. A MIT Technology Review ouviu o autor e também críticos: um pesquisador de Stanford diz que o texto é pouco mais que uma intuição e que não facilita os problemas atuais.

Executivo do Google diz que preços de IA caem em ritmo espantoso, segundo o Financial Times

De acordo com o Financial Times, Kent Walker, diretor jurídico do Google, rejeitou os temores europeus sobre o domínio americano em IA e disse que os preços caem em ritmo espantoso, criando oportunidades para empresas europeias. Fonte fechada: só o resumo público foi lido.

L

Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

Receba conteúdo direto no seu email

Escolha o que funciona melhor pra você.