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Limiar #206: Figma cria manual para agentes seguirem sua marca, Google lança carrinho universal nos EUA e Anthropic reserva 5% das ações para um fundo

19 de outubro de 2026·5 min de leitura

A Figma lança o Specs, um documento em Markdown para agentes de IA seguirem as regras de design da sua marca. O Google libera o Universal Cart nos EUA, e a Anthropic anuncia que vai reservar 5% das ações para um fundo de benefício público. No Radar: Disney contrata a maioria da Character.AI e a Accenture busca vender a operação na China.

🔥 Top 3 do Dia

Figma lança o Specs para agentes de IA seguirem as regras de design da sua marca

Na primeira conferência Config da empresa na Índia, a Figma apresentou o Specs, um editor em Markdown (formato de texto simples, com títulos e listas) onde o time descreve sua linguagem de design. O documento serve de referência tanto para pessoas quanto para agentes de IA, da própria Figma ou de terceiros, e pode ficar em um arquivo separado ou dentro do canvas. Dá para ligar bibliotecas de design e de código e diretrizes, e embutir elementos do canvas, diagramas do FigJam e camadas de código. Os detalhes estão no TechCrunch.

A Figma também liberou em beta aberto o Code Layers, que adiciona código aos designs para criar protótipos mais interativos, e você pode pedir ao agente para transformar um design em código. A empresa diz ainda que o MCP dela (protocolo que conecta ferramentas a agentes) passa a funcionar com mais de 20 novas ferramentas, incluindo Open Code, Dia, Meta Muse e a startup indiana Sarvam.

Por que importa: Agente de IA que ignora o manual da marca gera retrabalho. Se você lidera design ou produto, vale testar o Specs: escreva suas regras de cor, tom e componentes em um documento só e veja se o agente passa a respeitá-las. A própria Figma admite que a IA é imprevisível e vende o Specs como forma de torná-la mais previsível.

Google lança o Universal Cart nos EUA, carrinho que junta produtos da Busca e do Gemini

O Google liberou para usuários dos EUA o Universal Cart, anunciado em maio no Google I/O. A ferramenta reúne produtos de vários varejistas encontrados na Busca e no app do Gemini, e mantém itens e progresso quando você volta depois. Ela avisa quando o preço de um item salvo cai ou quando um produto esgotado volta ao estoque, segundo o TechCrunch.

Segundo o Google, o carrinho considera benefícios do cartão de crédito ao sugerir a forma de pagamento e mostra códigos promocionais. O checkout usa o Universal Commerce Protocol (UCP), padrão aberto que o Google criou para que agentes de IA e varejistas trabalhem juntos, inclusive no pagamento. Por ora, a disponibilidade citada é só nos EUA.

Por que importa: Você não consegue usar isso hoje no Brasil, mas quem tem e-commerce deve acompanhar. É mais um sinal de que o agente de IA vira o intermediário da compra, e padrões como o UCP podem decidir se a sua loja aparece e fecha venda nesse fluxo.

Anthropic diz que vai reservar 5% das ações para um fundo de benefício público

A Anthropic anunciou um fundo de benefício público, estruturado como entidade totalmente controlada pela empresa, para apoiar projetos de interesse social. Ela diz que vai destinar 5% das ações ao fundo, com a opção de somar mais 2% a cada aumento de 50% no valor da companhia. Entre os usos citados estão doações a organizações sem fins lucrativos e repasses diretos a populações específicas, além do impacto da IA no mercado de trabalho, tema para o qual ela já se comprometeu com US$ 200 milhões em estudos, informou o TechCrunch.

O anúncio vem num momento de opinião pública cada vez mais negativa sobre a indústria, que o CEO Dario Amodei descreveu como uma crise de confiança. Quem vai decidir o que financiar ainda não está definido: a empresa promete divulgar estrutura e governança nos próximos meses.

Por que importa: Por enquanto é promessa sem regras publicadas, então não muda nada no seu uso do Claude. Mas indica que os laboratórios sentem a pressão da rejeição pública, e isso pode aparecer em políticas de uso e em exigências de clientes corporativos.

📡 Radar

Disney contrata a maioria dos funcionários da Character.AI, que pediu falência

Um documento judicial mostra que a Disney fará ofertas de emprego a pelo menos 60 funcionários da Character.AI, com custo estimado de US$ 60 milhões por ano, e a grande maioria aceitou. A Disney já havia acordado comprar ativos da startup por US$ 20 milhões, mas a proposta é um lance inicial, e outra empresa ainda pode cobrir. O documento cita custos altos e riscos de processos e de fiscalização como motivos para o aperto da Character.AI, segundo o TechCrunch. Lição para quem constrói sobre chatbots de consumo: base de usuários grande não paga a conta sozinha.

Accenture busca vender suas operações na China por até US$ 1,5 bilhão, diz o Financial Times

Segundo o Financial Times, a maior consultoria de tecnologia do mundo quer vender suas operações chinesas por até US$ 1,5 bilhão. O jornal afirma que as ações da empresa oscilaram nos últimos meses por dúvidas sobre o impacto da IA. Fonte fechada: só o resumo público foi lido. Interpretação da Limiar: acompanhe como as consultorias se reorganizam, porque isso pode afetar preço e escopo dos serviços de tecnologia que você contrata.

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Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

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