O Google abriu o Deep Review para checar contratos, apresentações e artigos técnicos. A 404 Media mostrou como anunciantes podem mirar usuários do ChatGPT, e a Elorian lançou o Glimpse, modelo que dá zoom nas imagens enquanto raciocina. No Radar: novos termos da Meta, o Replit e a Anthropic, e o limite de US$ 29 da Accenture.
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Google abre o Deep Review para checar documentos complexos
O Google Research liberou ao público o Deep Review, um sistema de agentes de IA que revisa documentos longos. Nasceu para revisar artigos científicos e agora, segundo o anúncio do Google, também serve para documentos de design, apresentações e textos jurídicos e financeiros: ele checa consistência entre cláusulas e tabelas, aponta termos ambíguos e confere afirmações contra evidências.
O funcionamento é em quatro etapas: o documento é dividido em seções, cada seção recebe um orçamento de processamento conforme a densidade, agentes revisam as partes em paralelo e um agente final consolida tudo e faz checagens externas contra alucinação. Todo usuário tem duas revisões gratuitas por semana. Quem precisa de volume conecta uma chave da API do Gemini. A entrada aceita PDF e texto simples, e o Google diz que os documentos não são usados para treinar modelos, mas ficam armazenados por um ano para exibição na interface.
Por que importa: Revisar é o gargalo de quem usa IA para produzir mais. Vale testar com um documento seu já fechado (um contrato antigo ou uma proposta) e ver o que a ferramenta acha. Antes de subir material de cliente, leia a política de armazenamento: um ano é bastante tempo.
Anunciantes podem mirar usuários do ChatGPT por e-mail, telefone e tema da conversa
Em testes próprios, a 404 Media concluiu que a OpenAI deixa anunciantes mirarem grupos de usuários do ChatGPT com base em e-mail, telefone ou identificador do celular, além dos prompts digitados. A publicação ressalta que esse tipo de segmentação é comum na publicidade, mas que o ChatGPT, com cerca de 1 bilhão de usuários mensais, é novo ao usar o que você pergunta, algo que muita gente supõe ser privado.
O resumo da newsletter The Neuron, que leu a reportagem completa, acrescenta que anunciantes enviam listas de contatos que a OpenAI cruza com contas reais, sem ver quem deu match, e que desligar a personalização de anúncios não elimina a publicidade, que ainda pode se basear na conversa atual. As fontes não dizem em quais países o sistema de anúncios já funciona, então não dá afirmar o alcance no Brasil. O corpo da matéria original da 404 Media é pago, e esses detalhes vêm do resumo do The Neuron.
Por que importa: Na prática, trate o ChatGPT como uma caixa de busca que pode exibir anúncios e evite colar dados de cliente em contas pessoais. Confira a configuração de personalização nos ajustes, sabendo que desligá-la reduz o rastreio, não o zera.
Elorian lança o Glimpse, modelo que dá zoom na imagem enquanto raciocina
A startup Elorian, de Palo Alto, lançou o primeiro modelo, o Glimpse, em prévia de pesquisa com API e chat, conforme o TechCrunch. A ideia: a maioria dos modelos multimodais olha a imagem uma vez e passa a raciocinar em texto. O Glimpse volta à imagem no meio do raciocínio, recorta uma região, puxa quadros específicos de um vídeo ou roda código para medir e comparar.
O preço é de US$ 0,60 por milhão de tokens de entrada e US$ 3 por milhão de saída. A empresa afirma que o modelo supera o GPT-6 Astra em raciocínio sobre gráficos científicos e legendagem de vídeos curtos, mas esses números vêm das avaliações da própria Elorian, sem checagem independente. O TechCrunch lembra que a OpenAI já havia adicionado recorte e zoom durante o raciocínio em 2025. Os alvos iniciais são empresas com muito vídeo, como robótica, laboratórios e mídia.
Por que importa: Se o seu trabalho envolve ler gráficos, planilhas em imagem ou vídeo, compare o Glimpse com o modelo que você já usa, em tarefas suas e não em benchmark da empresa. É prévia, então trate como teste, não como ferramenta de produção.
📡 Radar
Meta atualiza termos que podem permitir treinar IA com sites de notícias
Segundo o The Verge, citando a Nieman Lab, os novos termos comerciais da Meta, em vigor a partir de 30 de outubro, autorizam a empresa a rastrear sites associados a contas de negócio e usar o conteúdo para treinar IA. A Meta nega mudança e diz que o robots.txt (arquivo em que um site indica o que robôs podem acessar) continua valendo. Se você tem site e conta de negócio na Meta, vale revisar os termos antes do dia 30.
Replit diz ter deixado a Anthropic, mas fontes contestam
O CEO do Replit, Amjad Masad, afirmou no TechCrunch Disrupt que a plataforma não trabalha mais com a Anthropic, por custo, parceria e desempenho, e que prefere os modelos da OpenAI. O TechCrunch relata que uma fonte próxima à parceria diz que ela segue em vigor, e que o Replit citava modelos da Anthropic semanas atrás. Para quem constrói em cima de plataformas assim, é lembrete de não depender de um único fornecedor de modelo.
Accenture limita o Claude a US$ 29 por pessoa por mês
A 404 Media informa que a Accenture passou a bancar só US$ 29 mensais por pessoa em Claude, enquanto alguns funcionários gastavam até US$ 1.000. Segundo a publicação, é um retrato de empresas que descobrem o custo do consumo de tokens e passam a limitar o uso. Se a sua equipe usa agentes de código, acompanhe o gasto por pessoa antes que a conta vire política de corte.