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Limiar #203: ChatGPT passa a ler suas abas do Chrome, Gemini avalia possíveis golpes por SMS no Android e Meta lança modelo aberto para Mac

16 de outubro de 2026·5 min de leitura

O ChatGPT ganhou acesso às suas abas abertas no Chrome, o Gemini passou a avaliar mensagens de golpe no Android e a Meta liberou um modelo aberto que roda em Macs. No Radar: Bluesky, METR e o sistema de versionamento da Anthropic.

🔥 Top 3 do Dia

ChatGPT passa a ler e usar as abas abertas no seu Chrome

A extensão do ChatGPT para Chrome recebeu um upgrade: com ela instalada, e ao marcar o Chrome no app web ou no desktop, o ChatGPT consegue ver as abas que você já tem abertas. Segundo a OpenAI, o exemplo é comparar três abas de sofás ou colocar fornecedores de várias abas numa planilha, com preços e links. Segundo o The Verge, o navegador próprio da OpenAI, o Atlas, foi descontinuado.

A extensão também ganhou uma barra lateral com o histórico completo das suas conversas, em dois modos: Chat, para perguntas, e Work, para tarefas. No Work, o ChatGPT pode controlar as abas para enviar mensagens, preencher formulários, baixar arquivos e organizar abas, de forma parecida com o recurso de navegação automática do Gemini. Um dos exemplos da OpenAI pede para preencher um formulário e parar antes de enviar.

Por que importa: Comparar fornecedores, cotações ou candidatos em várias abas é tarefa diária de muita gente. Teste com algo de baixo risco, peça sempre para parar antes de enviar e lembre que o assistente passa a enxergar o que está nas suas abas, inclusive páginas internas da empresa.

Gemini passa a avaliar mensagens de golpe no Android, mas só se você ativar

O Google ampliou a detecção de golpes no app Mensagens do Android com um modo de proteção reforçada. Segundo a newsletter The Neuron, que resume o anúncio do Google, quando um número fora dos seus contatos manda mensagem, modelos Gemini na nuvem podem ler a conversa para julgar se é golpe. Isso pega os golpes sem link, como o falso número errado ou o romance, que um filtro de palavras-chave não identifica.

Há uma segunda camada: o Gemini Nano, modelo que roda no próprio aparelho, checa links desconhecidos antes de você tocar, mas pede um Pixel 10 ou mais novo, um Galaxy S26 ou aparelhos selecionados. O recurso é opcional e chega aos poucos, nas próximas semanas. A Neuron observa que o Google só descreve avisos nos links, sem bloqueio, que o recurso cobre apenas remetentes desconhecidos e que não foi possível verificar a promessa de privacidade.

Por que importa: Golpe por mensagem é problema brasileiro diário, e esse tipo de camada protege quem não vai estudar o assunto. Se o seu aparelho for compatível, ative quando o recurso aparecer. E se você atende clientes por SMS ou WhatsApp, vale avisar a equipe de que a fraude está mudando de formato: menos link, mais conversa.

Meta lança o Muse Spark Open, modelo aberto feito com a Apple para rodar em Macs

A Meta lançou o Muse Spark Open, que chama de modelo aberto americano mais capaz até agora. Modelo aberto (open-weight) é aquele cujos pesos, os parâmetros que definem o que ele sabe, podem ser baixados e rodados por você. O modelo tem 816 bilhões de parâmetros e janela de 1 milhão de tokens, e foi feito para programação e tarefas de agente, segundo o TechCrunch. Está disponível agora por várias plataformas de API. A Meta trabalhou com a Apple e diz que é o primeiro do tipo a rodar em dois Mac Studio com M5 Ultra, segundo o The Verge.

O detalhe que o título esconde: rodar localmente exige pelo menos 1 terabyte de memória RAM, segundo o TechCrunch citando o Engadget. A Meta mostrou o modelo consertando código de um cliente Mastodon e cortando imagens no DaVinci Resolve, mas os números de desempenho são da própria empresa.

Por que importa: Para quase todo profissional, o caminho realista é usar o modelo por API, o que já permite comparar custo com modelos fechados e manter mais controle sobre os dados. Rodar em casa ainda é coisa de laboratório ou empresa com orçamento de hardware.

📡 Radar

Bluesky deixa qualquer pessoa criar jogos, quizzes e sites com IA no Attie

O Attie, plataforma experimental da Bluesky que começou criando feeds personalizados, agora permite montar jogos, quizzes, enquetes e sites para uma comunidade. Você pode usar seu próprio modelo de IA ou modelos abertos, e as criações aproveitam a audiência da rede, que tem 47 milhões de usuários registrados, segundo o TechCrunch. O CEO chamou a ideia de programar por conversa, mas para um grupo.

Anthropic dá à METR acesso de funcionário para avaliação independente

Seis pesquisadores da METR, organização sem fins lucrativos que testa modelos de ponta, terão laptops da empresa e acesso a ferramentas internas para avaliar riscos e práticas da Anthropic. A METR publicará as próprias conclusões e a Anthropic abriu mão de vetar, só podendo exigir cortes em categorias restritas, como dados de clientes, segundo o TechCrunch. Para quem contrata IA, é um sinal de que a auditoria independente está ganhando espaço.

Anthropic troca o Git por um sistema próprio após explosão nas alterações de código

Em maio, a Anthropic juntava cerca de 2.500 alterações de código por dia; em setembro, passou de 30.000. O controle de versão (a ferramenta que registra cada mudança no código) virou o gargalo, e a empresa migrou em cinco meses para o Scion, sistema interno, conforme a própria Anthropic. A lição para times menores: com agentes escrevendo código, o gargalo pode passar a ser revisão e infraestrutura, não digitação.

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Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

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