Hoje a Diária mostra como agentes de IA podem ser acionados pelo WhatsApp ou iMessage, sem abrir outro aplicativo. A Capcom detalha planos para integrar IA ao desenvolvimento de jogos, mas ainda deixa dúvidas sobre até onde pretende levar a tecnologia. Um ex-funcionário da OpenAI diz que a cultura da empresa está quebrada e, no Radar, a CEO da Splice explica por que tem cautela com textos escritos por IA no trabalho.
🔥 Top 3 do Dia
Agentes de IA chegam ao WhatsApp, iMessage e SMS
Um número crescente de assistentes de IA pode ser acionado diretamente nos aplicativos de mensagem. Serviços como Folk, Martin e Rene funcionam por WhatsApp, iMessage, Telegram ou SMS. Você envia uma mensagem como faria com uma pessoa, e o agente pode lembrar o contexto, conectar-se aos aplicativos que você já usa e executar tarefas como marcar um compromisso, organizar a agenda, pesquisar uma viagem ou fazer uma compra.
A disponibilidade varia. A Folk está em beta, tem plano gratuito e assinatura Pro de US$ 8,33 por mês; a Martin parte de US$ 21 mensais; e a Instinct continua em beta privado, embora tenha levantado US$ 1 bilhão em setembro a uma avaliação de US$ 10 bilhões. Como esses serviços podem conectar e-mail, agenda e outros aplicativos, a conveniência também amplia o volume de dados e permissões envolvidos.
Por que importa: Para quem já trabalha no WhatsApp, o formato reduz o atrito de adoção, mas não elimina o risco de entregar contexto demais ao agente. Se decidir testar uma opção com cadastro público, comece com dados não sensíveis e verifique política de privacidade, permissões e forma de revogar o acesso antes de conectar e-mail ou agenda.
Capcom planeja integrar IA ao desenvolvimento de jogos
Durante uma apresentação sobre o futuro da RE Engine, o motor gráfico por trás de jogos como Resident Evil, o programador da Capcom Satoshi Ishida detalhou como a empresa pretende integrar IA aos fluxos de trabalho de desenvolvimento. O objetivo é lidar com uma dificuldade concreta: produzir jogos na escala da franquia Resident Evil torna até tarefas simples extremamente demoradas.
Segundo o The Verge, a Capcom já havia dito que não usaria ativos gerados por IA nos jogos e que se concentraria em tornar o desenvolvimento mais eficiente. A nova fala é mais aberta: Ishida descreveu uma evolução gradual da RE Engine para um motor de jogos com geração por IA e um futuro em que jogos seriam criados em conjunto com a tecnologia. Para o The Verge, os comentários parecem alinhados à posição anterior, mas deixam aberta a possibilidade de um uso mais amplo.
Por que importa: Para quem gerencia produção criativa, o anúncio não oferece uma regra pronta, mas expõe uma decisão de governança: quais etapas podem usar IA e se materiais gerados podem chegar ao produto final. A Capcom enfatiza eficiência, mas a nova fala não fecha essa fronteira.
Ex-funcionário da OpenAI diz que a cultura da empresa está quebrada
Segundo seu próprio relato, David Robinson passou três anos e meio na OpenAI e liderou a redação dos relatórios de segurança que acompanharam os principais lançamentos da empresa, o que o colocaria entre os funcionários com mais tempo de casa. Ele anunciou a saída e publicou um ensaio na revista The Atlantic dizendo que o problema da empresa não é a falta de regras específicas, e sim a cultura por trás delas.
Segundo Robinson, a OpenAI cresce por tentativa e erro, abordagem que a empresa chama de implantação iterativa: lançar o produto, observar onde ele falha e corrigir depois. Na avaliação dele, isso garante falhas periódicas, e o tamanho delas cresce junto com a capacidade dos sistemas. Ele compara o setor a usinas nucleares e aeroportos, que dependem de camadas de redundância e planejamento cuidadoso, mas diz que, durante todo o tempo na empresa, nunca encontrou um colega com experiência em fazer aviões voarem com segurança ou evitar acidentes em reatores. A OpenAI respondeu que continua reforçando suas medidas de segurança e monitoramento.
Por que importa: O relato não demonstra, por si só, uma falha específica em um produto da OpenAI, mas expõe uma crítica interna aos processos da empresa. Ao comprar ou implantar um agente, pergunte ao fornecedor como ele testa falhas e contém danos, e limite o que o sistema pode fazer sem supervisão direta.
📡 Radar
CEO da Splice diz que textos de IA pioram conversas de trabalho
Kakul Srivastava, CEO da plataforma de samples Splice, disse ao The Verge que sua ferramenta mais indispensável é um documento bem escrito seguido de uma conversa real sobre ele. Como a empresa funciona de forma totalmente remota, não há o corredor do escritório para resolver desentendimentos. Por isso, ela diz ter cautela com documentos escritos por IA: quando não dá para saber se existe uma pessoa por trás do texto, a conversa sobre ele muda e fica pior. Por que importa: antes de usar IA para redigir um documento de decisão, combine com a equipe quem responde pelos argumentos e preserve espaço para a discussão real, não apenas para a revisão do texto.