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Limiar #190: Apple muda acesso total ao disco no Mac, Dot enfrenta tarefas reais e alucinações criam atrito no atendimento

3 de outubro de 2026·5 min de leitura

Hoje a Limiar explica por que a Apple vai mudar a permissão de acesso total ao disco no Mac diante do risco crescente de agentes de IA, acompanha um teste do Dot, agente da plataforma Dots da OpenAI, em tarefas reais de escritório e mostra relatos de alucinações de IA criando atrito no atendimento ao cliente. No Radar: uma falha já corrigida no aplicativo do ChatGPT para Mac, código aberto da Meta para gadgets com o Muse e a aposta de Sean Parker em reposicionar a Stability AI para profissionais de música.

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Apple vai mudar o acesso total ao disco no Mac diante do avanço de agentes de IA

A Apple anunciou que vai mudar as configurações de privacidade do macOS para deixar mais claros os riscos antes de o usuário conceder acesso total ao disco, segundo a Ars Technica. Essa permissão permite que um aplicativo acesse arquivos, e-mails, mensagens e até o histórico de navegação. O anúncio veio duas semanas depois de o colunista Jason Aten relatar que o Muse, agente de IA da Meta, citou numa notificação o conteúdo de uma conversa dele no aplicativo Mensagens, embora ele acreditasse não ter autorizado esse acesso.

A Meta afirmou que o Muse só poderia ler o conteúdo do Mensagens se o usuário também ativasse um conector específico no agente. O especialista em segurança Patrick Wardle contestou essa explicação: tecnicamente, um aplicativo com acesso total ao disco consegue ler praticamente qualquer arquivo não protegido pelo sistema. A Apple não citou a Meta nem o Muse, mas afirmou que agentes cada vez mais capazes e autônomos aumentam substancialmente os riscos dessa permissão.

Por que importa: Se a sua empresa usa agentes de IA no Mac para automatizar tarefas, organizar arquivos ou ler e-mails, revise quais aplicativos já têm acesso total ao disco e se a permissão é realmente necessária. A Apple prometeu tornar o risco mais claro antes da autorização, mas a reportagem não detalha o formato nem o prazo da mudança.

Teste do Dot mostra utilidade no escritório, mas também travas e supervisão

A OpenAI anunciou nesta semana a plataforma Dots, cujo agente Dot opera um computador virtual na nuvem e também pode receber acesso ao computador do usuário pelo aplicativo do ChatGPT. O recurso chega primeiro aos planos mais caros, entre eles o Pro de US$ 100 por mês. A jornalista Allison Johnson, do The Verge, testou o agente por alguns dias e publicou um relato do que funcionou e do que travou.

No teste, o Dot redesenhou um site pessoal a partir de instruções faladas, juntou clipes de vídeo num arquivo pronto para redes sociais e concluiu um pedido de comida depois de receber ajuda para entrar na conta. Mas também parou em verificações de segurança, pediu que a jornalista digitasse manualmente dados bancários num checkout e deixou passar uma visita gratuita que um agente concorrente encontrou em minutos.

Por que importa: O teste mostra que o agente já ajuda em tarefas delimitadas, como editar conteúdo e atualizar um site, mas ainda exige supervisão em logins, verificações e pagamentos. Antes de entregar um fluxo crítico ou dados sensíveis, vale testar o Dot em tarefas de baixo risco e medir se o ganho compensa o preço e as permissões exigidas.

Relatos mostram alucinações de IA criando atrito no atendimento ao cliente

Uma reportagem do The Verge reuniu relatos de profissionais de restaurantes, cafeterias, lojas e parques nos Estados Unidos que atendem clientes dispostos a confiar mais no ChatGPT do que em quem trabalha no local. Em um caso, uma garçonete disse que clientes contestaram seu alerta de que um prato continha frutos do mar porque o chatbot havia respondido o contrário.

A reportagem também cita roteiros de viagem com acampamentos inexistentes e trajetos impossíveis, incluindo planos que exigiriam remar contra a correnteza. Uma profissional de educação infantil disse que responsáveis resistiram à sua orientação sobre o sono de uma criança porque o ChatGPT indicava que a rotina estava adequada. Em outro relato, a gerente de um restaurante suspeitou, sem conseguir provar, que pedidos estranhos de última hora haviam sido enviados por um agente de IA.

Por que importa: Se a sua empresa atende clientes diretamente, mantenha informações críticas fáceis de verificar em canais oficiais e treine a equipe para corrigir respostas de chatbots sem transformar o erro em confronto. Em temas como alergias, preços, disponibilidade e regras, a fonte de verdade precisa estar explícita.

📡 Radar

Falha já corrigida no app do ChatGPT para Mac podia expor dados sensíveis

Segundo a Wired, uma vulnerabilidade já corrigida no aplicativo do ChatGPT para Mac poderia permitir que invasores acessassem dados sensíveis. O caso mostra que softwares de IA não são apenas ferramentas potenciais de ataque, mas também alvos. Vale manter esses aplicativos atualizados, assim como o sistema operacional.

Meta abre código para gadgets próprios com o Muse

A Meta liberou código e kits de desenvolvimento para conectar o Muse a projetos feitos com placas como ESP32 e Raspberry Pi, segundo o The Verge. A empresa também fabricou 5 mil unidades do Muse Home Link, aparelho que usa recursos criados pela comunidade para controlar luzes e a TV ou enviar documentos à impressora, e abriu uma lista de espera para a distribuição gratuita.

Sean Parker reposiciona a Stability AI para profissionais de música

Sean Parker, cofundador do Napster, está reposicionando a Stability AI como fornecedora de ferramentas de IA para profissionais de música, segundo o TechCrunch. A empresa recebeu US$ 76 milhões de investidores que incluem Sony, Warner e Universal, que também licenciaram seus catálogos para treinamento. A Stability já lançou três modelos de áudio e software de edição musical; uma atualização futura deve permitir cantarolar uma melodia ou fazer beatbox para orientar a geração.

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Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

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