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Limiar #189: Shopify lança Canvas para criar lojas por chat, Google estreia descrição de imagens no Android e ex-DeepMind questiona o raciocínio dos modelos

2 de outubro de 2026·6 min de leitura

Hoje a Limiar mostra como o Canvas, da Shopify, permite criar e editar uma loja por conversa com IA, como o Guided Vision do Google descreve em áudio o que a câmera do celular vê para pessoas cegas ou com baixa visão, e por que um ex-pesquisador do Google DeepMind argumenta que os modelos atuais ainda não raciocinam de verdade. No radar: o provador virtual do ChatGPT, cacoetes de escrita mais frequentes em textos de IA e a rejeição, nos EUA, de dois processos antitruste contra o Google por causa do AI Overviews.

🔥 Top 3 do Dia

Shopify lança Canvas para criar e editar lojas por conversa com IA

A Shopify apresentou nesta quinta-feira o Canvas, uma nova forma de criar e personalizar lojas online a partir de uma conversa com o agente de IA Sidekick. Em vez de arrastar blocos em um editor visual ou mexer em código, o lojista descreve o que quer e vê o resultado em tempo real: não uma prévia estática, mas o próprio site funcionando, com animações e responsividade que podem ser testadas na hora.

A Shopify já tinha um construtor sem código, mas mudanças mais profundas exigiam editar código ou chamar um desenvolvedor. Com o Canvas, a empresa simplificou a estrutura dos temas e deu ao Sidekick acesso aos arquivos reais da loja. O lojista também pode clicar em qualquer elemento para fazer ajustes manuais. A versão inicial roda só no computador e ainda não cobre temas de terceiros, blocos e extensões de aplicativos, mercados, traduções ou atualizações de tema.

Por que importa: Para equipes de e-commerce, o Canvas pode reduzir o tempo e o custo de prototipar uma vitrine sem começar pelo código. Mas as limitações da estreia restringem projetos mais complexos e operações internacionais, e a fonte não detalha disponibilidade por país ou idioma.

Google lança Guided Vision para descrever em áudio o que a câmera do celular vê

O Google começou a liberar nesta quinta-feira o Guided Vision dentro do Gemini Live, recurso de acessibilidade voltado a pessoas cegas ou com baixa visão. Ele usa a câmera do celular para descrever em áudio, em tempo real, textos pequenos, ambientes e objetos. A novidade chega a aparelhos Android compatíveis e também pode ser acionada pelo TalkBack, o leitor de tela do Android, ou por um atalho de acessibilidade configurado no aparelho.

Além da descrição automática, dá para fazer perguntas de acompanhamento, como pedir que o Gemini leia a validade de um produto depois de localizá-lo na imagem. O próprio Google recomenda não usar o recurso para navegação, orientação em deslocamentos ou identificação de obstáculos, nem como substituto de bengala ou outro equipamento de mobilidade.

Por que importa: Quem tiver acesso em um Android compatível pode avaliar uma aplicação concreta de IA multimodal em acessibilidade. Para equipes que projetam produtos digitais, o teste também ajuda a entender o alcance e os limites atuais desse tipo de assistência.

Ex-pesquisador do Google DeepMind argumenta que os modelos atuais ainda não raciocinam de verdade

Dez anos depois de ajudar a criar o AlphaGo, o cientista Thore Graepel publicou um artigo de opinião na MIT Technology Review argumentando que os grandes modelos de linguagem atuais, incluindo os que geram etapas intermediárias antes de responder, não reproduzem o mecanismo que permitiu ao AlphaGo vencer Lee Sedol em 2016. Segundo ele, o AlphaGo combinava intuição treinada com uma busca explícita pelas consequências futuras de cada jogada; nos modelos de linguagem, a cadeia de pensamento continua sendo produzida pelo mesmo processo de prever o próximo token.

Graepel aponta três limites: os modelos não mantêm um registro explícito e inspecionável das hipóteses, evidências e dúvidas; misturam conhecimento e raciocínio nos mesmos parâmetros treinados; e muitas vezes geram, depois da resposta, uma explicação diferente do caminho que de fato levou ao resultado. Ele diz que deixou o cargo no Google DeepMind por esse motivo e defende uma arquitetura inspirada no AlphaGo para usos de alto risco, como medicina, engenharia e pesquisa científica.

Por que importa: Se você usa IA para apoiar decisões importantes, trate a cadeia de pensamento como uma explicação gerada pelo modelo, não como uma auditoria fiel de como ele chegou à resposta. Valide a conclusão e as evidências por fora, sobretudo em aplicações de alto risco.

📡 Radar

ChatGPT ganha provador virtual de roupas e lista de favoritos para compras

A OpenAI anunciou o lançamento global de dois recursos de compras no ChatGPT: o provador virtual, que usa uma foto sua para mostrar como uma roupa ou um acessório pode ficar em você, e o Favoritos, que salva itens para consulta posterior. O provador usa o modelo ChatGPT Images 2.5 e aparece nos resultados de compras. Quem cuida de e-commerce ou marketing pode testar como produtos aparecem nesse novo canal de descoberta e acompanhar se ele gera tráfego ou conversão.

Estudo encontra novos cacoetes de escrita nos modelos mais recentes

Um estudo da empresa de marketing Graphite comparou 10 mil textos publicados antes do ChatGPT com versões reescritas por modelos e identificou 13 mil expressões ao menos duas vezes mais frequentes na amostra de IA. No Claude Opus 5.5, dependable apareceu 23 vezes mais e this matters, 116 vezes mais que nos textos humanos. O Astra, da OpenAI, recorre a another dimension e a construções corretivas. O travessão quase sumiu nos modelos recentes, mas outros padrões surgiram. Para quem revisa texto com IA, essas pistas ajudam a localizar trechos que merecem edição, mas isoladamente não provam a autoria.

Juiz nos EUA rejeita processos antitruste contra o Google por causa do AI Overviews

Um juiz federal dos Estados Unidos rejeitou dois processos antitruste movidos pela Chegg e pela Penske Media, dona da Rolling Stone, contra o Google. As empresas alegavam que recursos de busca com IA desviam tráfego dos sites e que o Google as força a fornecer conteúdo gratuitamente para o AI Overviews sob risco de sumirem dos resultados. Para o juiz Amit Mehta, a expectativa de receber visitas do buscador não constitui um acordo protegido pela lei antitruste. A decisão não cria precedente no Brasil, mas destaca o risco de depender da busca e a importância de construir audiência própria.

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Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

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