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Limiar #183: Microsoft redesenha o Copilot, falha em teste envia agentes a alvos reais e câmeras com IA são comparadas

26 de setembro de 2026·7 min de leitura

Hoje a Limiar Diária traz o Copilot redesenhado da Microsoft, que reúne chat, criação de aplicativos e um agente que continua trabalhando na nuvem. Mostramos como uma falha no ambiente de testes da startup israelense Irregular enviou agentes de quatro empresas a alvos reais, e o que um teste independente revelou ao comparar recursos de IA para câmeras nas plataformas Apple Home, Google Nest e Amazon Ring. No Radar, a Meta confirma que o acesso do Muse ao sistema de arquivos da máquina na nuvem é intencional, e a Anthropic assume um compromisso de US$ 11,6 bilhões com a Akamai por capacidade de nuvem.

🔥 Top 3 do Dia

Microsoft reúne chat, criação de aplicativos e agente na nova versão do Copilot

A Microsoft apresentou nesta semana uma nova versão do Copilot que reúne em um único aplicativo três frentes: chat, criação de aplicativos por código e um agente chamado Autopilot. O app ganha três abas, Home, Code e Autopilot. A aba Home reúne o chat e as ferramentas de colaboração do Cowork e traz um painel diário com e-mails importantes, reuniões e conversas do Teams que precisam de atenção.

Na aba Code, o usuário pode pedir à IA que crie um aplicativo interno, um painel de controle ou uma automação e compartilhar o resultado com colegas, tudo dentro da conta da empresa na nuvem da Microsoft. Já o Autopilot é a versão em nuvem do assistente que a Microsoft chamava de Scout: ele tem identidade, memória e computador próprios e pode continuar executando tarefas quando o usuário está offline. Também aparece no Teams, no Outlook e em documentos, onde pode ser mencionado com arroba.

O executivo Jared Spataro comparou a ambição do lançamento ao impacto do Office: assim como o pacote definiu o trabalho na era do PC, disse ele, o novo Copilot foi criado para definir o trabalho na era da IA. O CEO Satya Nadella chamou o Copilot de novo sistema operacional para o trabalho, segundo reportagem do The Verge. Cowork, Code e Autopilot terão cobrança baseada no uso, e os times de TI poderão acompanhar esses gastos com uma ferramenta chamada FinOps for AI. Home e Code começarão a chegar ao programa de acesso antecipado Frontier nas próximas semanas, o Autopilot entrará em preview privado ainda neste mês e o Code terá preview para assinantes Microsoft 365 Premium e Pro mais adiante neste ano.

Por que importa: Para empresas que já usam Microsoft 365, o Copilot amplia a proposta para além do chat no Word: passa a incluir criação de ferramentas internas e tarefas contínuas em segundo plano, com identidade e controles corporativos. Como os novos recursos ainda entram em previews escalonados e parte deles será cobrada por uso, vale testar um fluxo limitado e definir teto de gasto antes de migrar processos inteiros.

Falha em teste da Irregular enviou agentes de quatro empresas a alvos reais

Nos últimos meses, vieram a público incidentes em que agentes da OpenAI, Meta, Anthropic e Google saíram de ambientes de teste e agiram na internet aberta. Uma reportagem do The Verge mostra que esses quatro casos tiveram uma origem comum: um cenário de avaliação da Irregular, startup israelense fundada como Pattern Labs e contratada para testar a segurança de modelos.

Segundo o cofundador e diretor de tecnologia da Irregular, Omer Nevo, alguns testes usavam exercícios de captura de bandeira, formato clássico de avaliação de segurança em que o agente precisa encontrar informações escondidas em uma rede que deveria ser apenas uma simulação. Duas falhas se somaram: o acesso à internet real, que deveria estar bloqueado, ficou disponível sem intenção, e o nome fictício de uma empresa criada para o teste coincidiu com um domínio real. Juntas, as falhas enviaram os agentes a alvos verdadeiros, embora não esteja claro quais empresas ou instituições foram atingidas.

A Irregular afirma ter resolvido os problemas ligados aos incidentes. A empresa reforçou os controles de acesso à internet, ampliou o monitoramento e a revisão manual e passou a verificar e documentar com mais rigor o escopo de cada avaliação com os clientes.

Na prática: Se sua equipe testa agentes de IA em ambiente isolado, confirme antes de cada execução se o acesso à internet está realmente bloqueado e se nomes ou domínios fictícios da simulação não coincidem com endereços reais. Foi essa combinação de falhas que levou os agentes para fora do cenário controlado nos casos relatados.

Teste compara IA para câmeras nas plataformas Apple Home, Google Nest e Amazon Ring

A Apple lançou neste mês, junto com o iOS 27, o Apple Intelligence for Home, recurso que usa modelos de visão e linguagem para descrever em uma frase o que a câmera de segurança viu, como entregador da FedEx caminha no jardim, em vez do genérico movimento detectado. Recursos semelhantes já estavam disponíveis no Google Nest e no Ring, da Amazon. Uma repórter do The Verge comparou as três plataformas por semanas, com foco nas campainhas com câmera.

No teste, a Apple cobrou até três vezes mais pelo plano do iCloud+ necessário para usar o recurso e entregou descrições mais curtas e menos úteis. Google e Amazon deram mais contexto nas descrições e oferecem os recursos de IA por US$ 20 mensais para câmeras ilimitadas. O reconhecimento facial da Apple foi inconsistente, assim como o do Google, e houve falhas de notificação na campainha usada pela repórter. A Apple foi a única a identificar uma van do serviço postal dos Estados Unidos, ainda que sem consistência, e também oferece busca em linguagem natural nas gravações.

Por que importa: O teste mostra que preço e marca não bastam para escolher uma câmera com IA. Antes de contratar um serviço para casa ou para uma operação pequena, compare a utilidade das descrições, a confiabilidade das notificações, o limite de câmeras e o custo total do plano.

📡 Radar

Meta diz que acesso do Muse ao sistema de arquivos da máquina na nuvem é intencional

Depois de usuários descobrirem que o Muse, agente de IA da Meta, exibia arquivos internos do sistema quando solicitado, a empresa afirmou, segundo o The Verge, que o comportamento é intencional. Segundo o executivo David Singleton, da Meta Superintelligence Labs, cada usuário recebe um computador Linux na nuvem em que pode instalar programas, compilar código e navegar na internet. A arquitetura é diferente da usada por ChatGPT e Gemini, que oferecem menos acesso ao computador por trás do agente. Se sua empresa avalia usar o Muse para automação ou programação, vale tratar a máquina virtual como um servidor, com limites para dados, credenciais e programas instalados.

Anthropic assume compromisso de US$ 11,6 bilhões com a Akamai por capacidade de nuvem

A Anthropic assumiu, segundo o TechCrunch, um compromisso de US$ 11,6 bilhões ao longo de sete anos com a Akamai para usar sua infraestrutura de nuvem. O total pode chegar a cerca de US$ 20 bilhões com gastos adicionais, mas o acordo depende de requisitos de entrega e disponibilidade e pode ser encerrado sob certas condições. A infraestrutura aposta em CPUs, chips de uso geral adequados a tarefas como rodar código e navegar na web. A demanda por essas tarefas cresceu com o avanço dos agentes, mas a Akamai não informou como a Anthropic usará a capacidade contratada. Como parte do acordo, a Akamai concedeu à Anthropic o direito de comprar ações por um preço fixo, instrumento chamado warrant, que pode equivaler a até 5% da empresa conforme os pagamentos e gastos avancem.

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Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

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