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Limiar #64 — Illinois regula IA de ponta, big law aposta US$ 500 mi e a nova Siri chega

28 de maio de 2026·5 min de leitura

Illinois acaba de aprovar a lei de segurança de IA mais rígida dos Estados Unidos. A Kirkland & Ellis, maior escritório de advocacia do mundo em receita, vai gastar US$ 500 milhões construindo sua própria IA proprietária. E a pergunta de milhões — quais empregos a IA vai eliminar? — tem respostas completamente diferentes dependendo do modelo que você consulta. Vamos ao que importa hoje.

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Kirkland & Ellis investe US$ 500 mi para construir sua própria IA

A Kirkland & Ellis — o escritório de advocacia que gerou mais receita do que qualquer outro no mundo em 2025 — anunciou que vai gastar US$ 500 milhões para construir uma plataforma de IA própria. O projeto quer digitalizar décadas de conhecimento jurídico acumulado pelos sócios e transformar isso em tecnologia consultável diretamente pelos advogados da firma. O nome interno do projeto é "collective intelligence".

Em vez de contratar plataformas jurídicas de IA já prontas — como Harvey.ai ou Casetext —, a Kirkland quer controlar a própria pilha tecnológica. A lógica é estratégica: se sua vantagem competitiva é o que seus advogados sabem, terceirizar o processamento desse conhecimento para uma startup cria risco real de dependência e exposição. É a maior aposta de soberania de dados já feita pelo setor jurídico.

Por que importa: Quando o escritório mais lucrativo do mundo decide que IA é estratégica o suficiente para um investimento de US$ 500 milhões próprios, o debate para todos os demais deixa de ser "usar ou não usar" e passa a ser "comprar, construir ou parceria". Para profissionais e empresas no Brasil — onde o setor jurídico é gigantesco — o caso Kirkland é uma aula sobre como posicionar IA como ativo competitivo, não como custo operacional.

Illinois aprova a lei de segurança de IA mais rígida dos EUA

O parlamento do Illinois aprovou ontem a lei de segurança de IA mais abrangente dos Estados Unidos. O texto exige que empresas como OpenAI, Anthropic e Google contratem auditores independentes para certificar que estão cumprindo padrões de segurança antes de lançar novos modelos de fronteira. O governador JB Pritzker já sinalizou que vai assinar.

A lei chega num momento de vácuo federal: o governo Trump reverteu as diretrizes de IA do governo Biden e o Congresso americano não avança nada relevante na área. Estados como Califórnia e Illinois estão preenchendo esse espaço. O Illinois é relevante por ter um ecossistema tech robusto — Chicago é a terceira maior cidade de tecnologia dos EUA — e por ter aprovado a lei com ampla maioria bipartidária, o que raramente acontece em legislação de tecnologia.

Por que importa: Para o Brasil, que ainda debate seu marco regulatório de IA, o Illinois mostra que regulação por auditoria independente é tecnicamente viável e politicamente aprovável. Mais do que isso: se as grandes labs precisarem cumprir auditorias nos EUA, esse padrão vai pressionar todo o ecossistema global — incluindo o que chega por aqui. Profissionais de compliance e governança de IA já devem olhar para o modelo Illinois como referência prática.

Quais empregos a IA vai eliminar? Depende de quem você pergunta

Uma análise do Financial Times revela um problema estrutural nos relatórios de automação: diferentes modelos de IA chegam a conclusões radicalmente divergentes quando perguntados sobre quais profissões estão mais expostas. Um mesmo cargo pode aparecer como "alto risco" num modelo e "baixo risco" em outro. Em alguns casos, a diferença chega a 40 pontos percentuais — não é ruído, é divergência metodológica profunda.

A explicação: os modelos são treinados com dados diferentes, usam definições distintas de "exposição" e partem de horizontes temporais variados. O problema real é que empresas e governos estão tomando decisões de RH e política pública com base nesses relatórios — sem perceber que os dados de base se contradizem entre si.

Por que importa: Se você já leu algum relatório sobre "empregos em risco com IA" e ficou confuso com os números contraditórios, agora tem a explicação. Para gestores e equipes de RH no Brasil, a lição prática é: não terceirize para um único modelo a decisão sobre quais funções da sua equipe estão expostas. Nenhum modelo de linguagem tem visão privilegiada sobre o seu setor específico — faça o diagnóstico internamente.

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Lars Janér

Lars Janér — Empreendedor, investidor e entusiasta de IA. Construindo na fronteira entre tecnologia e negócios.

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