IA abre as portas dos tribunais: a 'vibe litigation' que pode mudar o acesso à justiça
Para quem achava que a IA ficaria confinada aos grandes escritórios de advocacia, a surpresa: ela está chegando pelos fundos — e mudando quem pode processar quem. O Financial Times reporta um fenômeno que já ganhou nome: "vibe litigation", processos movidos por pessoas comuns que usam ferramentas de IA para redigir petições, entender jurisprudência e contestar cobranças abusivas que antes nunca chegavam ao tribunal por falta de recursos.
O padrão é simples: o custo de entrar com uma ação caiu de forma drástica. No Reino Unido, nos EUA e em países que adotaram processos digitais, pessoas físicas estão processando empresas por atrasos de voo, cobranças indevidas em cartão e contratos leoninos — sem contratar advogados. Em vez disso, usam ferramentas como o Harvey, o DoNotPay e até o próprio ChatGPT para construir argumentos jurídicos básicos.
Por que importa: O Brasil tem um dos maiores volumes de processos por habitante do mundo — e boa parte deles é exatamente esse tipo de causa de baixo valor que ninguém contrataria um advogado para defender. Se essa onda chegar aqui com força, muda o custo operacional de empresas que tratam reclamações como descartáveis — e abre mercado para serviços jurídicos novos baseados em IA.
Este destaque faz parte da newsletter Limiar #36 — IA abre os tribunais, Big Tech aposta US$ 725 bi e a OpenAI arma os defensores
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