Chatbots estão mudando a forma como nosso cérebro funciona — e a pesquisa está ficando preocupada
Gloria Mark, pesquisadora de psicologia da Universidade da Califórnia, esteve na SXSW London esta semana com uma mensagem que merece atenção. Em entrevista ao MIT Technology Review, ela argumenta que a delegação constante de tarefas cognitivas para chatbots pode estar enfraquecendo habilidades fundamentais: concentração prolongada, raciocínio crítico independente e memória de trabalho. A hipótese está ganhando respaldo empírico em estudos recentes sobre uso intensivo de LLMs.
O argumento não é ludita. Mark não prega largar o ChatGPT — ela própria usa IA. A questão é de calibração: quando você terceiriza não só a execução, mas o próprio processo de pensar, o cérebro perde o treino. É análogo ao GPS: ele resolve a navegação, mas atrofia o senso de direção que você levou anos desenvolvendo. A IA pode estar fazendo o mesmo com o raciocínio analítico de quem a usa sem critério.
Por que importa: Para profissionais que usam IA intensamente, a implicação prática é simples: reserve tempo para pensar sem assistência. Use a IA para ampliar suas conclusões, não para substituir o processo de chegar a elas. A diferença entre quem usa IA bem e quem se torna dependente dela vai ser medida exatamente aqui.
Fonte
technologyreview.comhttps://www.technologyreview.com/2026/06/05/1138427/are-ai-chatbots-making-us-lose-control-of-our-brains/
Este destaque faz parte da newsletter Limiar #70 — Produtividade real, cérebro em risco e 38 mil demissões: a conta da IA começa a chegar
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