Hoje: o Claude passa a lembrar do seu contexto entre o chat e o Cowork, e isso muda o fluxo de quem usa a ferramenta para trabalhar. O Instinct impressiona em teste privado, mas seus acessos e termos expõem o custo de entregar dados e poder de ação a um assistente. E uma escola americana adota um sistema de semáforo para deixar claro quando alunos podem usar IA. No Radar: candidaturas em um clique, a intenção da Spirit Airlines de vender dados à Google e o chip próprio da OpenAI para respostas mais rápidas.
🔥 Top 3 do Dia
Claude passa a lembrar do seu contexto entre o chat e o Cowork
A Anthropic unificou a memória do Claude no chat e no Cowork, o modo do produto voltado a executar tarefas. Na prática, o contexto que você deu enquanto pesquisava continua valendo na hora de pôr a mão na massa, sem repetir briefing, preferências e histórico do projeto a cada troca de tela. Segundo a TechCrunch, a memória agora é montada por tópicos ao longo da conversa, em vez de virar um resumo quando o papo termina.
O recurso já vem ligado por padrão nos planos Free, Pro e Max, no navegador, no computador e no celular (no celular, é preciso atualizar o aplicativo). Dá para ler, editar e apagar o que ficou guardado. Por padrão, o Claude deixa de fora temas sensíveis como saúde, religião, política e identidade de gênero, e nunca guarda documento de identidade nem histórico criminal.
Por que importa: Memória boa economiza retrabalho, mas também monta um perfil seu dentro da ferramenta. Vale abrir o painel de memória esta semana, conferir o que o assistente guardou e apagar o que não deveria estar lá, principalmente se você usa a mesma conta para trabalho e assuntos pessoais.
Instinct impressiona em teste privado, mas cobra acesso amplo e autonomia
O Instinct é um assistente pessoal da Spear Street Technology, feito por um time pequeno liderado por Noah Shinn, ex-pesquisador da Sierra. Ainda em acesso privado, ele conecta-se a e-mail, mensagens, calendário, áudio, localização e tela para executar tarefas como fazer reservas, organizar a caixa de entrada e comprar passagens. Mas, segundo a TechCrunch, seus termos concedem uma licença perpétua e irrevogável sobre materiais do usuário, inclusive para treinar modelos, e permitem que o assistente assuma compromissos e faça transações vinculantes em nome da pessoa.
Testadores também relataram um e-mail enviado sem autorização prévia e resumos da caixa de entrada depois de desconectar o Gmail. A equipe corrigiu outro problema, que impedia um usuário de apagar registros do serviço, mas não havia respondido às perguntas da TechCrunch até a publicação.
Por que importa: Antes de usar um assistente com dados de trabalho, confira retenção, exclusão, treinamento e quais ações exigem confirmação. A utilidade cresce com o acesso, mas o risco também.
Escola adota semáforo para definir quando alunos podem usar IA
Na Cheshire Academy, escola privada de Connecticut, professores marcam atividades como um semáforo: verde libera IA, vermelho proíbe e amarelo permite apenas ferramentas ou usos definidos pelo docente. O caso, relatado pelo MIT Technology Review, busca substituir uma proibição genérica por regras visíveis para cada tarefa.
A instituição também treina professores em técnicas gerais, sem exigir uma ferramenta específica, e orienta revisar citações, equações e afirmações geradas por modelos. É um experimento de uma escola, não uma regra consolidada para a educação americana.
Por que importa: A mesma convenção pode reduzir dúvidas em treinamentos e fluxos internos: marque quais tarefas liberam qualquer IA, quais permitem usos delimitados e quais proíbem a ferramenta por privacidade, avaliação ou conformidade.
📡 Radar
Candidaturas em um clique e IA aumentam o ruído na busca por vagas
Uma reportagem da Wired analisa como a combinação de menos vagas abertas, candidaturas em um clique e ferramentas de IA tornou mais fácil concorrer a muitos postos. Na prática, isso tende a elevar o ruído no funil: candidatos podem usar IA para adaptar materiais, mas disparos genéricos dificultam demonstrar aderência real à vaga.
Spirit Airlines quer vender dados à Google, e ex-funcionários questionam privacidade
Segundo a Wired, a Spirit Airlines quer vender dados à Google, e ex-comissários de bordo temem que informações privadas sejam usadas em IA. A informação aponta uma intenção, não um acordo concluído. Para empresas, o caso reforça a necessidade de examinar consentimento, contratos e regras de privacidade antes de negociar bases de dados.
OpenAI mostra chip próprio feito para respostas mais rápidas
A OpenAI detalhou o Jalapeño, chip que desenvolveu com a Broadcom para rodar modelos já treinados, a etapa que gera a resposta que aparece na sua tela. Em teste da SemiAnalysis, segundo a TechCrunch, ele entregou mais texto gerado por usuário e mais trabalho por energia consumida que o sistema de ponta da Nvidia usado como comparação. Nada muda no seu dia agora, porque a implantação começa no fim de 2026 em volume pequeno e só ganha escala em 2027. O que vale acompanhar é a promessa por trás: resposta mais rápida e custo menor por consulta, que é o que decide se assistente de IA cabe no orçamento da empresa.
É isso por hoje. Um abraço, Lars.